Ora viva, caros leitores da RD. Peço desculpa pela ausência da rubrica, mas nestas últimas 2 semanas entraram as férias e estive com pouco tempo para poder escrever. Para esta semana, o tema que marca a semana em Portugal a nível musical é claramente o regresso muito ansiado de Prince. O multifacetado músico esteve cerca de 12 anos sem tocar ao vivo em solo nacional até quebrar o jejum no passado domingo, quando se apresentou no festival Super Bock Super Rock, para cerca de 32 mil pessoas.

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De facto, não há muito a falar sobre tão grande personalidade. Decididamente um dos artistas mais respeitados e mais populares dos anos 80, Prince surgiu neste ramo em 1976, quando conhece Owen Husney, um homem de negócios de Minneapolis. Este, interessado pelo talento de Prince, decide contactar várias produtoras para negociar um contrato para um álbum do então jovem músico. A Warner Bros apostou e ganhou essa aposta. Claramente.
For You foi lançado em 1978 e trazia consigo o primeiro hit single de Prince intitulado Soft and Wet. Desde cedo se apercebeu da capacidade de Prince em juntar vários factores e componentes de inúmeros estilos de música, onde sempre se sobressaíram o funk, o hip hop, RnB, disco, soul e até rock psicadélico. Esta capacidade de composição que cedo demonstrou levou Prince ao estatuto e à popularidade que viria a conhecer mais tarde.
Seguiu-se o álbum homónimo em 1979, mas seria ao terceiro álbum que tudo começou a explodir em definitivo. Depois de 2 trabalhos bem conseguidos, Dirty Mind, lançado a 1980, foi o rastilho que faltava acender para afirmar Prince como um novo nome a ter em conta no panorama musical. I Wanna Be Your Lover, Head e Uptown são apenas os pontos mais altos de um trabalho muito bem conseguido e bem aceite pela crítica. O culto nasce aqui.
Controversy manteve acesso o interesse no artista, que viria a ter a confirmação absoluta nos anos seguintes. Com o lançamento de 1999, em 1982, e de Purple Rain, em 1984, o estrelato tinha sido finalmente alcançado, colocando Prince no mesmo patamar de Michael Jackson e Madonna. Nem vale a pena referir a quantidade de prémios, entre eles grammys, que Prince venceu ao longo destes anos. A crítica rendeu-se à qualidade evidente do músico.
Poderia continuar aqui a descrever a sua longa discografia, mas a verdade é que após Sign O’ the Times, de 1987, Prince não voltaria a alcançar o nível que havia atingido nos anos 80. Um pouco à imagem das outras 2 estrelas que já referi, tanto Jackson como Madonna. Mas a verdade é que a qualidade e a forma como irrompeu na música, duma forma completamente original e autêntica, fez com que Prince ganhasse decididamente um lugar na história.
Dias que Correm

Um pouco como muitos outros artistas, Prince sempre assumiu uma atitude contra a liberalização da sua música. E o mais recente concerto em Portugal foi mais uma vítima dessa atitude, sendo que todos os vídeos que foram colocados no youtube do concerto foram retirados do site. De qualquer forma, são decisões que cabem aos artistas e a verdade é que tem toda a legitimidade para ter este comportamento. Elton John, Metallica e muitos outros já tiveram problemas judiciais a nível de direitos. Por isso, se não foi assistir ao concerto de Prince ao Super Bock Super Rock, pode ter perdido uma oportunidade de ouro para ver um dos maiores artistas que alguma vez existiu. Fiquem com Purple Rain. Até para a semana.
Prince – Purple Rain