Ataque à Revolut foi feito através de organismos italianos
O impressionante - e assustador - caso da Revolut está a gerar preocupação sobre a forma como instituições financeiras respondem a pedidos de informação emitidos por autoridades públicas no âmbito de investigações e regras de combate ao branqueamento de capitais.
Segundo informações divulgadas por pelo grupo que diz ter obtido informação da Revolut, e que tem estado a revelar alguma dessa informação, os atacantes terão comprometido contas de email pertencentes a organismos governamentais e forças de segurança italianas através de malware do tipo infostealer. A partir dessas contas, enviaram à Revolut Bank UAB, sediada na Lituânia, pedidos falsificados apresentados como Ordens Europeias de Investigação em nome das autoridades italianas, fazendo referência a entidades como a Eurojust e a Europol.
Os atacantes dizem que esses pedidos foram feitos durante um período de cerca de cinco meses e que a Revolut respondeu às solicitações recebidas, seguindo os procedimentos exigidos pelas regras europeias - apenas com algumas excepções: a Revolut terá recusado ceder informação sobre clientes com contas sediadas noutros países. Ainda assim, o grupo diz deter 147 GB de dados provenientes do lado italiano da operação, incluindo documentos internos e registos de comunicações entre agentes. Quanto aos clientes Revolut, terão sido visadas pessoas que tinham feito operações de valor substancial em criptomoedas, escolhidas com base no registo público na blockchain.
Algumas análises aos registos que têm sido revelados demonstram o motivo para preocupações, permitindo analisar que países os alvos têm visitado, lojas de luxo em que fizeram compras, restaurantes que frequentam, consultas que pagaram, assim como transferência avultadas para familiares, amigos, namoradas e até para "acompanhantes". Informação que facilmente permite ampliar a gama de ataques, quer seja por extorsão e chantagem, quer por coacção física sobre o próprio indivíduo ou pessoas com quem se relacione.‼️ BREAKING: Duel can report that the Revolut hacker used a "spray and pray" strategy, sending hundreds of cryptocurrency transaction IDs to Revolut and asking for the associated account details. Revolut complied.
— Korra (@korraflow) September 15, 2026
This explains the sheer volume of data the hackers were able to… pic.twitter.com/RqGsuEIkMZ
Isto torna-se ainda mais caricato quando se relembra que organizações como a Open Dialogue Foundation (ODF) tinham apresentado precisamente este tipo de preocupações junto do Parlamento Europeu durante as negociações das novas regras europeias de combate ao branqueamento de capitais. Preocupações que foram totalmente ignoradas, ao ponto de algumas das salvaguardas propostas terem ficado de fora da versão final da legislação. No seu estado actual, os bancos estão literalmente obrigados a cumprir com este tipo de pedidos, sob pena de serem alvo de pesadas multas e outras penalizações - isto para um sistema que nem sequer se preocupou em criar mecanismos seguros de validação dos mesmos, resultando no caso que agora se tem em mãos, e que certamente não será o único nem o último.
Até ao momento, não foram ainda feitas declarações oficiais por parte das autoridades italianas, da Eurojust, ou da Europol.




































