How to Implement a Laravel Multi Step Form to Split Complex Forms in Simpler Form Pages
This package provides a simplified solution to implement multi-page forms in applications based on the Laravel framework.

O Verão nunca chega a terminar enquanto houver uma canção de RÓISÍN MURPHY por perto, sobretudo uma da colheita dos últimos tempos. Do funk ao disco, da house à soul, a fase actual da ex-vocalista dos Moloko é das mais vitaminadas do seu percurso e tem no single mais recente, "SOMETHING MORE", um caso sério de vício.
O novo cartão de visita parece soar ainda melhor no videoclip, estreado esta semana e assente numa actuação ao vivo registada numa mansão de Ibiza onde a irlandesa passou uma semana sozinha.
A cantora de "Sing It Back" e "The Time Is Now" foi das figuras da pop que aproveitou a fase do confinamento de forma mais inteligente, inventiva e prolífica, através de várias performances caseiras que souberam fazer das limitações uma força. A mais recente, com um vídeo novamente dirigido pela própria, não foge à regra e continua a abrir o apetite para o seu quinto álbum, "Róisín Machine", inicialmente agendado para esta sexta-feira, 25 de Setembro, mas adiado para a próxima, 2 de Outubro (e que vai juntar uma mão cheia de temas já revelados, como "Narcissus" ou "Simulation", a quatro inéditos).
Já que ainda não se pode ouvir o disco, é de louvar que o novo single não tenha chegado sozinho: além do vídeo, há uma remistura dos Soulwax e quatro(!) de Crooked Man (a Dark e a Dub são especialmente aconselháveis) para ir contando os dias até um dos regressos mais promissores da rentrée.

O Financial Times teve acesso a uma alegada nota interna da Comissão Europeia que visa expandir o “acesso legal direcionado” às comunicações eletrónicas encriptadas como forma de combate às redes de pedofilia, terrorismo e crime organizado.
A intenção, de acordo com a nota, é incentivar a discussão entre os estados membros para os entraves que a encriptação coloca na investigação e condenação de criminosos.
A nota contém alegadamente o seguinte, de acordo com o jornal norte-americano:
The application of encryption in technology has become readily accessible, often free of charge, as industry is opting to include encryption features by default in their products[…]. Criminals can make use of readily available, off-the-shelf solutions conceived for legitimate purposes. This makes the work of law enforcement and the judiciary more challenging, as they seek to obtain lawful access to evidence.
O intento parece ser a introdução de backdoors para permitir às forças de segurança contornar a encriptação e ter acesso aos conteúdos que, de outra forma, estariam encriptados. Na prática, aplicações como o WhatsApp, Telegram e Signal, que usam sistemas de encriptação para as comunicações dos seus utilizadores, seriam legalmente obrigadas a ter esta “porta dos fundos”.
Este tipo de ideia já não é novo. Em dezembro, o procurador-geral norte-americano, William Barr, sugeriu algo idêntico e classificou essa intenção como sendo de alta prioridade para o sistema de justiça do país.
A introdução de um backdoor para as forças de segurança significaria também que qualquer grupo criminoso, agência de espionagem, regime ditatorial ou pessoa mal intencionada também conseguiria esse mesmo acesso.
Não é possível que essa porta dos fundos esteja apenas acessível às forças de segurança porque não é desta forma que a encriptação funciona. Encriptação é matemática e alguém com conhecimentos técnicos e poder computacional suficiente poderia – e provavelmente conseguiria – descobrir a fórmula usada no sistema de encriptação, conseguindo assim aceder também às comunicações porque não há sistemas de encriptação infalíveis.
Um sistema de encriptação, por muito bom que seja em teoria, está sempre sujeito à qualidade da sua implementação, a falhas de segurança do hardware onde é utilizado e aos avanços tecnológicos que vão surgindo.
Ou seja, esta intenção da Comissão Europeia, a ser verdade e a passar a legislação, é um tiro em cada pé e outro na cabeça, figurativamente falando.
A acontecer, uma medida destas não seria muito diferente de obrigarem tudo e todos a manter as portas de todas as casas e de todos os edifícios sempre abertas, para que as autoridades consigam mais facilmente detetar ilícitos como violência doméstica e roubos, e depois queixarem-se de que há um aumento no número de assaltos.
Se esta intenção algum dia transitar para legislação, nada impede os grupos criminosos de desenvolverem os seus próprios sistemas de encriptação, algo que provavelmente já fazem. Ao invés de resolvermos um problema, estaríamos apenas a fragilizar fortemente o direito à privacidade dos cidadãos.
A alegada nota da Comissão refere, contudo, que o acesso às comunicações encriptadas deve ser proporcional e direcionado a um indivíduo ou grupo no contexto de investigação criminal. Apesar disso, tal não impediria que alguém numa posição de autoridade utilizasse este acesso para benefício próprio ou prejuízo de outrem.
Um político no poder poderia utilizar este backdoor para prejudicar os seus rivais. Um agente de autoridade envolvido num caso de violência doméstica poderia perseguir assim o conjugue.
Há muitos potenciais problemas para pouco benefício. As autoridades continuam a conseguir apanhar criminosos sem necessidade de backdoors. Veja-se o que sucedeu quando a EncroChat, uma empresa holandesa muito procurada por redes criminosas devido ao desenvolvimento de equipamentos e sistemas de comunicação encriptados, foi desmantelada, tendo levado à prisão de várias pessoas envolvidas em atos ilícitos como tráfico de drogas.
Até onde estamos dispostos a ir e quanto queremos sacrificar da nossa privacidade em nome da segurança?
A imagem de destaque do artigo é da autoria do site Pexels e está sob a licença CC0.
O NB-IoT é uma tecnologia LPWA (Low Power Wide Area), que permite obter um elevado número de ligações a dispositivos e sensores, sem interferências e com maior cobertura. Esta tecnologia permite, ainda, uma optimização do consumo da bateria dos dispositivos, podendo em alguns casos garantir vários meses sem necessidade de recarga.
That leak is already turning up some interesting stuff, like the NetMeeting user certificate root signing keys. pic.twitter.com/yAv7shpJXA— Graham Sutherland (Polynomial^DSS) (@gsuberland) September 25, 2020
O confronto com a sexualidade inspira três dos filmes da secção competitiva do QUEER LISBOA, a decorrer até 28 de Setembro no Cinema São Jorge: todos primeiras longas-metragens com personalidade, todos estudos de personagem que desafiam coordenadas pré-estabelecidas.

"MAKE UP", de Claire Oakley: Quem é a mulher ruiva que Molly persegue mas que mais ninguém vê num parque de férias de Cornwall, na costa inglesa? O mistério conduz esta viagem entre o drama coming of age e o thriller psicológico assente em alguns códigos do terror, amálgama gerida com pulso forte por Oakley. A realizadora britânica consegue desenhar uma atmosfera tão impressionante como inquietante, especialmente notável numa primeira longa-metragem, e aos poucos vai-se desviando de territórios realistas para apostar num tom impressionista e com uma carga simbólica que se revela consequente quando esta jornada iniciática termina o ciclo. Além do forte sentido de espaço, vincado pelo retrato de uma comunidade isolada e pela forma como deixa que o vento ou o mar estejam em sintonia com o turbilhão emocional da protagonista, "Make Up" sobressai pela interpretação de Molly Windsor (talento já revelado em "The Runaways" ou "Três Meninas"), sempre credível na pele de uma adolescente assombrada por um despertar sexual que segue um rumo inesperado. Na retina fica ainda a bela fotografia etérea de Nick Cooke, com predilecção por escarlates e alaranjados, a consolidar um brilhantismo visual que compensa algumas hesitações do argumento e a pouca atenção dada às personagens secundárias. Mas nem tudo é maquilhagem, parece estar aqui uma cineasta de corpo inteiro.
3/5

"NEUBAU", de Johannes Maria Schmit: Embora tenha algumas sequências surpreendentes e comoventes enquanto oferece uma perspectiva invulgar sobre o envelhecimento, a família ou questões de género, este drama alemão também dá conta das fragilidades muitas vezes associadas a primeiras obras. Ambientado em Bradenburgo, acompanha o dia-a-dia de um rapaz que tem de se dedicar a uma avó cujo estado mental se deteriora à medida que vai lidando com as suas próprias mudanças, reaprendendo a relacionar-se com o seu corpo e adiando sonhos de viver em Berlim. Ironicamente, o filme também parece desenrolar-se num impasse, com o realizador indeciso quanto ao ritmo a adoptar e às narrativas a privilegiar. Um novo relacionamento amoroso, apesar de muito antecipado, acaba por ser desenvolvido de forma esquemática. Melhores são as cenas com as avós do protagonista, tão palpáveis na angústia como na ternura, ainda que pareçam pertencer a uma curta ou média metragem e não tanto a uma longa na qual o todo fica aquém de algumas partes. Partes como essas ou como uma sequência de bedroom dancing libertadora e, de certa forma, transportadora, ao som de "Mit Dir", pérola synth pop esquecida do conterrâneo Robert Görl (ex-elemento dos D.A.F.). Também muito bem recuperada é "Relax It's Only a Ghost", bonita canção indietronica do duo alemão Phantom Ghost e óptima escolha para os créditos finais de um filme com o qual é difícil não simpatizar, mas do qual apetecia gostar mais.
2,5/5

"VENTO SECO", de Daniel Nolasco: Provocação não falta nesta primeira longa de ficção de um realizador que se fez notar pelas curtas e documentários. Mas se este drama com uma carga voyeurista evidente promete alimentar conversas sobre as fronteiras entre cinema (homo)erótico e pornográfico - tendo em conta duas ou três sequências de sexo explícito, algumas de relevância narrativa questionável -, o que mais marca aqui é o retrato implacável da solidão e da homofobia internalizada, através do quotidiano rotineiro de um trabalhador de uma fábrica de fertilizantes de Goiás, no interior do Brasil. Quando a (escassa) vida pessoal parece ser tão mecanizada como a laboral, sobra um onirismo fetichista (muitas vezes devedor do imaginário hard de Tom of Finland) que vai diluindo as fronteiras entre a realidade e a fantasia. Ainda assim, há espaço para a mudança quando um novo colega de trabalho do protagonista entra em cena e abala uma relação frágil mas dada como adquirida.
Nolasco é muito bom a cruzar um humor camp com os fantasmas interiores de um homem de meia-idade, e atinge a excelência formal em vários momentos pela montagem revigorante e direcção de fotografia à altura de Larry Machado. O olhar sobre o Brasil rural, sobretudo nas cenas nocturnas (onde não faltam neons e tons púrpura), sugere estar aqui um parente próximo de "Boi Neon", de Gabriel Mascaro, ou da série "Boca a Boca", exemplos recentes e conterrâneos de uma sensibilidade que cruza marcas locais com heranças externas enquanto explora questões de identidade e sexualidade (com uma energia visual que remete para a obra de Nicolas Winding Refn, ente outras, e uma banda sonora a conjugar habilmente música sertaneja, canções de Thiago Pethit ou a electrónica envolvente dos Chromatics).
Só que talvez não fosse preciso pedir quase duas horas ao espectador para um relato que ameaça terminar várias vezes antes de efectivamente chegar ao fim - e o final escolhido, não sendo desapontante, também não é tão forte como outros que foram surgindo entre as possibilidades. Em todo o caso, está aqui um exemplo bem recomendável (e sem medo de transgredir) tanto do cinema brasileiro como cinema queer recente.
3,5/5