PlanetGeek
№ 01

Notícias do dia

Huawei sem actualizações Android com fim do prazo de excepção; Edge deixa de poder ser desinstalado no Windows 10; Surface Duo só vai ter 3 anos de actualizações; Google Duo vai ser integrado no Meet; espreitamos as medidas imperiais vs métricas; o Darker Sky recupera Dark Sky no Android; rede Starlink já atinge 30-60Mbps de internet via satélite; Hyundai Kauai bate recorde com 1026 km de autonomia; AI recupera filmes do passado para 4K a 60 fps; satélites vão fazer "corrida até à morte" em órbita; e vimos ainda como receber notificações de vídeos no YouTube via email - agora que o YouTube removeu essa funcionalidade.

Antes de passarmos às notícias do dia, não deixem de participar no passatempo gadget da semana que vos pode valer uma Redmi Band da Xiaomi.

SpaceX lança primeiro lote oficial de astronautas em Outubro



Depois da histórica missão Demo-2 em que lançou os primeiros astronautas na cápsula Crew Dragon, a SpaceX e a NASA preparam-se agora para o primeiro lançamento "comercial" de astronautas da NASA. O lançamento Crew-1 fica desde já marcado para 23 de Outubro, desta vez com um lote de quatro astronautas (Shannon Walker, Victor Glover, Mike Hopkins e Soichi Noguchi) com destino à ISS.

Mas os marcos históricos começam a ser habituais na SpaceX. Para o lançamento de amanhã teremos uma série deles: será o 100º lançamento da SpaceX, e a primeira vez que será reutilizado um foguete Falcon 9 pela 6ª vez.

So, with the #SpaceX Starlink launch on Tuesday, this will be another first for the company.
First time reusing a booster for the 6th time!
And this flight marks the 100th launch for SpaceX and the 92nd for the Falcon 9! pic.twitter.com/NThMbaUl9W
— Matt (@Booster_Buddies) August 17, 2020



Notepad++ bloqueado na China



Os utilizadores chineses terão um pouco mais de trabalho para conseguirem descarregar o popular editor de texto Notepad++, uma vez que a sua página de download passou a ser bloqueada na China. Na origem do bloqueio está o facto do programa criticar as políticas chineses, contando com edições chamadas "Free Uyghur" e "Stand With Hong Kong".

Será aquilo que se chama "colocar o dedo na ferida".


Facebook testa cópia mais directa do TikTok na Índia


Parece que o Facebook não está satisfeito em ter copiado o TikTok com o Reels, e está a considerar adicionar funcionalidade idêntica de forma mais visível na sua app principal.

INTERESTING!
Facebook is also testing a ‘short videos’ feed with TikTok-like swipe up in its main app

This appears to be in addition to Instagram Reels

h/t @roneetm pic.twitter.com/0XHiSowCwW
— Matt Navarra (@MattNavarra) August 13, 2020


Com tanta preocupação em copiar, o Facebook arrisca-se a ir afastando os utilizadores, que vão tendo que lidar com uma séries de invenções que o FB acha indispensável ter para fazer frente às apps populares do momento... Pelo menos, as queixas no Instagram vão aumentando com todas as alterações que têm sido feitas. Veremos se este TikTok no Facebook será expandido ao resto do mundo, ou se ficará pela fase de testes na Índia.


Chrome vai permitir que sites poupem bateria



O Chrome há muito que perdeu a fama de ser um browser poupado - pelo contrario, passando a ter a fama de ser gastador de memória e de CPU - ao ponto de até estar a experimentar novas capacidades que permitirão aos sites indicar medidas de poupança de energia.

Usando meta tags especiais, os sites poderão indicar ao Chrome de que poderá exibir as páginas com framerate reduzido, ou indicar que os seus scripts são pouco urgentes e poderão ser executados a velocidade mais reduzida.

Conhecendo-se o panorama actual, não sei que impacto prático se possa esperar disto, já que continuaremos a ver sites a exigir todos os recursos (tal como ainda existem sites que nem se preocupam em optimizar o tamanho das imagens, e colocam imagens a desperdiçar megabytes e megabytes desnecessariamente). Penso que continuará a ser mais produtivo que se foquem em tornar o Chrome eficiente, independentemente do que os sites disserem.


Curtas do dia


Resumo da madrugada




№ 02

Google prepara-se para encerrar mais um serviço (Google Duo)


Quem ainda tivesse esperança que a Google tinha rumo definido nos serviços de comunicação, poderá (não) gostar de saber que não se deverá afeiçoar demasiado ao Duo, pois o serviço vai também ser cancelado e integrado no Google Meet.


A Google parece querer fazer o pleno das apostas completamente erradas no que diz respeito aos serviços de mensagens e video-chamadas. Anunciou a morte do Hangouts com a sua separação num serviço separado de texto e de vídeo, que inicialmente se destacavam por só precisarem de número de telefone mas mais tarde vieram a adoptar as contas Google como o Hangouts; com o serviço de texto a ser encerrado; com o Duo a perder protagonismo com a promoção (abusiva) do Google Meet - que era pago mas passou a ser gratuito para todos por conta do Covid-19 e da concorrência do Zoom nas video-chamadas - e agora, em quase preparação para o regresso à casa de partida, eis que também o Duo parece estar com os dias contados.

A Google está a trabalhar no encerramento do Duo e a sua integração no Meet, num projecto internamente designado por Duet (Duo + Meet).

Ainda poderá demorar um par de anos a ser concretizado, mas até lá não se habituem demasiado ao Duo (que, curiosamente, até era um serviço que até me tinha dado ao trabalho de tentar utilizar). Também curiosamente, é que depois desta integração, teremos passado anos a brincar com estes serviços criados e encerrados pela Google, para chegar ao final e ficarmos com um serviço que acaba por se limitar a fazer tudo aquilo que o Hangouts original já fazia. Enfim...

Por:
Carlos Martins


№ 03

Darker Sky recupera Dark Sky no Android


Um developer que prefere manter-se anónimo lançou um versão "ressuscitada" do Dark Sky para Android, chamada Darker Sky.

O Dark Sky para Android deixou de funcionar no início do mês, fazendo parte dos planos da Apple de o tornar um exclusivo para iOS que passará a estar integrado directamente na app de meteorologia do sistema. No entanto, isso não impediu um developer fã da app de arranjar forma de contornar esse encerramento e nos trazer uma versão recuperada que funciona em Android: o Darker Sky.

Compreensivelmente, é um projecto que não deverá durar muito tempo (e por isso mesmo o developer optou por manter o anonimato), já que a Apple não tem um histórico propriamente bondoso no que diz respeito a quem contorna as suas regras e decisões. Sendo que neste caso nem sequer há margens para dúvidas, uma vez que o developer recorreu a uma chave de acesso à API do Dark Sky roubada da versão iOS.

É pena que a Apple tenha optado por penalizar todos os utilizadores do Dark Sky em Android, que também contribuíam com dados para melhorar as previsões do estado do tempo. Mas talvez possam vir a mudar de ideias quando se virem no lado oposto, e sentirem o efeito que o desaparecimento forçado de uma app poderá ter nas vendas de iPhones.
№ 04

Huawei sem actualizações Android com o fim do prazo de excepção?


A situação da Huawei poderá complicar-se ainda mais com o fim do prazo de excepção, potencialmente significando que até os smartphones antigos que tinham acesso aos serviços da Google, deixem de receber actualizações de agora em diante.

Embora os EUA tenha decretado o corte de relações com a Huawei, a empresa chinesa foi usufruindo de um prolongamento temporário para poder ir mantendo relações com a Google e ir lançando actualizações para os equipamentos que já tinham sido lançados com serviços e apps da Google. No entanto, esse prolongamento terminou a 13 de Agosto sem que tenha havido qualquer renovação ou extensão. E como tal, fica em estado incerto se, de agora em diante, veremos qualquer actualização relacionada com a Google.

Enquanto se aguarda por clarificações por parte da Huawei, isso seria o piorar de uma situação já de si péssima. Ao contrário do que acontece com quem compra um P40, que desde logo já se sabe que vem sem as apps e serviços da Google; aqui estamos a falar de penalizar clientes que tinham comprado smartphones com todos os serviços da Google, e que esperariam ter pelo menos os 18-24 meses de actualizações garantidos - incluindo o acesso ao EMUI 11 baseado em Android 11.

É certo que isto é algo que escapa ao controlo (e vontade) da Huawei, mas não deixa de ser um péssimo precedente que vem manchar ainda mais a confiança nas actualizações do Android, e que para além de todas as incertezas e atrasos dos fabricantes, também fica sujeita às birras das entidades norte-americanas, que sem avançar com qualquer tipo de justificação concreta demonstrada por provas, decidem apenas "olha, ficas sem acesso e pronto".
№ 05

Edge deixa de poder ser desinstalado no Windows 10


A Microsoft volta a angustiar aqueles que gostariam de ter total controlo sobre o que o seu computador faz, ao impedir que os utilizadores possam desinstalar o Edge (a não ser que recorram a métodos mais "radicais" do que a a desinstalação normal).

Seria de imaginar que por esta altura a MS já estivesse bem informada sobre aquilo que não deveria fazer para conquistar a simpatia dos utilizadores, depois de os ter azucrinado com ecrãs irritantes de actualização para o Windows 10, e tantas outras coisas. Até relativamente ao novo Edge tentou recentemente roubar utilizadores ao Chrome, tentando fazer com que o Edge voltasse a ser o browser pré-definido no Windows (e até no Windows 7, oficialmente já sem suporte).

Pois bem, agora a MS pega numa das desvantagens que vemos nos sistemas mobile e aproveita-a para seu benefício, para garantir que o Edge se mantém nos PCs com Windows 10, mesmo no caso de utilizadores que o pudessem querer desinstalar. O Edge passou a ser disponibilizado via actualização do sistema, e com isso deixa de ser uma simples app que se possa desinstalar facilmente.

No iOS temos esse tipo de sistema, que faz com que uma actualização a uma app como o Safari ou até a simples calculadora tenha que ser feito através de uma actualização de sistema em vez de uma simples actualização via App Store. Agora, a MS aplica a mesma técnica, mas para garantir que o Edge não possa ser removido. Poderá ser facilmente escondido da vista, mas estará sempre à espreita, potencialmente recorrendo a várias tentativas ocasionais para tentar convencer os utilizadores de outros browsers a lhe darem uma oportunidade.
№ 06

Tesla prestes a receber autenticação 2-factor


Elon Musk reconheceu que a prometida segurança acrescida da autenticação 2-factor está embaraçosamente atrasada, mas diz que está para breve.

A realidade actual tem demonstrado, por uma e outra vez, que não se pode depender unicamente de uma password para garantir a segurança no acesso a um qualquer serviço. Por isso mesmo, torna-se obrigatório utilizar métodos 2FA (2 Factor Authentication) para qualquer serviço que exija um mínimo de segurança acrescida, e nisso enquadra-se um serviço que dá acesso ao controlo parcial de um automóvel.

Depois de no ano passado ter dito que o 2FA estava dependente de algumas alterações ao sistema, Elon Musk reconheceu que de facto a funcionalidade estava demasiado atrasada.

Sorry, this is embarrassingly late. Two factor authentication via sms or authenticator app is going through final validation right now.
— Elon Musk (@elonmusk) August 14, 2020


A parte boa é que disse também que neste momento o 2FA nos Tesla já está na fase final de testes, pelo que poderá chegar em breve a todos os utilizadores. Quando isso acontecer, todos terão a opção de reforçar a segurança no acesso através do uso de SMS (o que não é nada recomendado), ou de uma app de geração de códigos 2FA.
№ 07

Wallpaper animado de Saturno já disponível para todos os Androids


Os wallpapers planetários animados do MIUI 12 da Xiaomi fizeram bastante sucesso, e agora podemos juntar o de Saturno à colecção.

Anteriormente tínhamos ficado com acesso aos wallpapers de Marte e da Terra, com o seu efeito de zoom ao fazer o desbloqueio do smartphone. Agora é a vez de quem preferir Saturno e os seus anéis.


Estão disponíveis duas versões, uma em que os anéis ficam posicionados mais na horizontal, outra em que ficam mais na vertical:

Em ambos os casos, ficam agora disponíveis para qualquer smartphone não Xiaomi, bastando que tenha Android 8.0 ou mais recente.
№ 08

Dicas para terem uma rede WiFi mais segura



Se há área onde nunca se deve facilitar, é na da segurança. Um passo em falso e podemos ficar à mercê de um atacante mal intencionado.  Sigam as dicas que hoje partilhamos, para evitar serem surpreendidos.





A segurança da rede doméstica é muito mais do que definir uma senha para o WiFi. Os membros da sua família assistem aos programas favoritos na TV inteligente, compram vários produtos online, desfrutam de jogos na consola e / ou trabalham em casa. Todos os tipos de dados vitais - identidades, passwords, endereços, fotos particulares, etc., estão constantemente ligadas à Internet através da sua rede doméstica.

Já ouviu seguramente falar de "Phishing" e "Malware", formas de aceder à sua rede doméstica, a fim de roubar informações privadas e dados pessoais. A segurança da rede doméstica é a base fundamental para proteger sua família dos perigos causados ​​por pessoas com intenções maliciosas. A TP-Link deixa as regras fundamentais para melhorar a segurança da sua rede doméstica.

1) Defina uma palavra passe adequada para a rede
Não deixe seu router com as passwords padrão do WiFi e do administrador. Os hackers conhecem essas credenciais – elas são publicas. Também é um bom hábito alterar a palavra-passe regularmente.

2) Mantenha o firmware atualizado
O firmware de um router define o padrão de segurança básico para a sua rede doméstica. Patches de segurança e correções de bugs fazem parte do firmware mais recente para reparar as vulnerabilidades de rede expostas recentemente. Um router com atualizações automáticas é uma excelente opção – certifique-se de que tem estas atualizações automáticas ligadas.

3) Crie uma rede Guest
Costuma receber convidados em casa? Sabe que é estranho rejeitar se alguém solicitar acesso ao Wi-Fi, mas quem sabe quem ou o que pode entrar na sua rede com os dispositivos dos seus convidados? A melhor solução para esse problema é configurar uma rede Guest, presumindo que o seu router WiFi suporte esta função. Uma rede de convidados é isolada da rede LAN doméstica; os visitantes obtêm acesso à Internet sem o potencial de acederem aos seus dados privados. É até possível dar um passo adiante, ocultando o SSID da sua rede doméstica e ligando apenas dispositivos fiáveis ​​à sua rede, verificando periodicamente que novos dispositivos se tentaram ligar para identificar invasores.

4) Desligue as funcionalidades WPS e UPnP
Alguns routers WiFi têm o botão WPS para facilitar a conexão, para que não seja necessário digitar a password para adicionar novos dispositivos à rede. No entanto, embora seja conveniente, também pode ser explorado para obter acesso à sua rede doméstica. Da mesma forma, o UPnP (Universal Plug and Play) foi projetado para facilitar a conexão de dispositivos como routers e TVs inteligentes sem configuração complexa. Mas há alguns programas de malware têm como alvo o UPnP para obter acesso à sua rede. Se a segurança da rede é uma preocupação, é mais seguro desativar estas opções.
 
A TP-Link apresenta routers e equipamentos de rede com as mais avançadas funcionalidades de segurança e preparados para proteger os seus dados pessoais e os da sua família. Reconhecida como líder tecnológica, a empresa oferece uma abrangente gama de routers, kits de rede, repetidores, equipamentos powerline e a linha de redes Mesh Deco.
№ 09

Windows 10 deixa seleccionar GPU para apps individuais


Quem desesperar com a gestão de múltiplos GPUs no Windows 10 vai gostar de saber que a partir de agora poderá seleccionar exactamente que GPU utilizar para cada app individualmente.

Com o Windows 10 Build 20190 os utilizadores passam a ter maior controlo sobre a forma como o seu computador dá uso aos GPUs, permitindo seleccionar que GPU cada app deve usar. Uma medida muito apreciada para garantir que certas apps dêem uso ao GPU mais poderoso em vez do GPU integrado, no caso dos portáteis.


Tendo já passado por situações em que certos programas não funcionavam correctamente por o Windows estar a optar pelo GPU integrado vem vez do outro, o que obrigava a activar o GPU mais potente para tudo - com o consequente impacto na autonomia - esta alteração resolver tudo isso.

Podem aceder a estas definições em:
  • Settings > System > Display > Graphics settings
    ou 
  • Settings > Gaming > Graphics settings
№ 10

Intel reforça aposta nos CPUs híbridos com o Alder Lake


A Intel parece estar satisfeita com os resultados obtidos pelo Lakefield e anuncia o próximo CPU com núcleos híbridos - o Alder Lake - para 2021, dizendo que será o seu melhor CPU até à data.

Tal como é comum nos SoC ARM, estes CPUs híbridos da Intel recorrem a núcleos diferentes e especializados, havendo núcleos idênticos aos dos CPUs Atom que ficam dedicados a tarefas pouco intensivas com consumo reduzido, e outros dedicados ao processamento mais exigente, com consumo superior.

É uma estratégia que a Intel estreou nos Lakefield, destinados aos ultra-portáteis, focando-se no consumo reduzido, e que com o Alder Lake espera expandir a um maior número de dispositivos, desta vez focando-se em maximizar o desempenho. Para que esse objectivo seja cumprido é essencial que exista uma sinergia perfeita entre software e hardware, para que o sistema operativo possa enviar os processos adequados para os núcleos adequados.

São CPUS que irão chegar numa altura em que a Apple já estará a transitar os seus computadores para os seus chips ARM, pelo que irão ter um papel muito importante para demonstrar se ainda há esperança para a continuidade dos chips x86.
№ 11

Animes que marcaram – Parte 4

Uma das razões pelas quais tenho andado a escrever tantos artigos longos a avaliar e categorizar os meus animes favoritos ano a ano é porque pensei para mim mesmo que queria deixar por escrito as minhas opiniões por algo que tem ocupado uma grande parte do meu tempo livre desde que comecei a seguir o meio regularmente algures durante os primeiros anos do século XXI.

Na primeira parte partilhei algumas das séries que acho mais influentes na década de 80, na segunda parte falei-vos sobre as séries que, na minha opinião, marcaram os anos 90 e na terceira olhámos para o início do milénio e as séries que moldaram a primeira metade da década de 2000.

Tinha mencionado antes que, quando comecei a compilar esta lista, houve um ano que claramente me saltou à vista como sendo particularmente marcante para a animação da terra do sol nascente e esse ano foi 2006 logo é por aí que vamos começar a quarta parte desta longa saga.

2006 a 2011 – Uma explosão de criatividade

Estamos agora a mais de uma década de distância de 2006 e muitos dos novos fãs do meio podem até nem conhecer algumas das séries que vou mencionar aqui mas a verdade é que todas elas, quase sem excepção, marcaram de alguma forma o meio e são ainda hoje inspiração para quase tudo o que sai dos estúdios de animação nipónicos..

Originalmente ia dividir esta lista em duas partes e dividir entre pré e pós 2009 devido a uma certa série que saiu nesse ano mas depois de pensar melhor vi que faz sentido juntar toda esta explosão de criatividade que começa sensivelmente em 2006 e que só para por volta de 2011 num único grupo. Poderia aqui especular sobre que eventos poderiam ter causado isto (como a crise financeira de 2008) mas deixo isso para os adeptos de sociologia.

Mas já chega de introduções, vamos lá falar de séries!

The Melancholy of Haruhi Suzumiya (2006)

The Melancholy of Haruhi Suzumiya (2006)

Quem estava por estas andanças no longo ano de 2006 lembra-se certamente que não havia convenção que não tivesse pelo menos um grupo de pessoas a dançar o Hare Hare Yukai, a dança inventada para acompanhar a música dos créditos desta série.

O estúdio oriundo da capital de 1000 anos, Kyoto, estava possivelmente no início da sua era dourada e deu-nos esta profundamente caótica adaptação de uma das mais populares Light Novels da altura.

Haruhi foi um autêntico tsunami que varreu a indústria na altura e é fácil traçar uma linha entre esta série e a crescente popularidade que as adaptações destas light novels viriam a ter nos anos que se seguiram.

O estúdio quebrou todas as regras e expectativas que existiam na animação da altura. Desde a exibição dos episódios fora de ordem até a uma série de clichés que literalmente introduziu no meio para este género de programas (a comédia que se passa numa escola secundária). Desde a total reinvenção da Kuudere na forma de Nagato Yuki (onde antes o arquétipo havia sido criado por Eva com Ayanami Rei) até a Kyon, o protagonista da série, cuja forma ácida de lidar com o que se passava na série se tornou uma das mais populares formas de escrever protagonistas desde então.

Ver Haruhi hoje não tem de todo o mesmo impacto que teve na altura muito pelo facto da sua popularidade ter sido tão alta e a sua influência na indústria tão grande que hoje aquilo que era revolucionário e inovador na altura se tornou banal e corriqueiro.

Isso e tentar sobreviver ao Endless Eight e os seus 8 episódios idênticos é algo que ainda hoje me dá pesadelos.

Death Note (2006)

Outra série que saiu em 2006 e que é, ainda hoje, uma das melhores formas de introduzir alguém ao meio é o famosíssimo Death Note.

Esta batalha entre Kira e L onde o jogo do gato e do rato entre ambos, a expectativa de ver se é desta ou não que o grande detective descobre a pessoa por trás do titular Death Note, é ainda hoje uma das melhores mangas e animes alguma vez feitos.

Ignorem a terrível adaptação da Netflix e vejam o original. É sem sombra de dúvidas uma das melhores séries que podem ver mesmo 14 anos depois da sua emissão original.

Code Geass (2006)

Code Geass (2006)

Mas se não bastasse ter Haruhi a reinventar os clichés da comédia na animação nipónica e Death Note a ser um dos melhores exemplos de sempre das histórias que o meio pode contar, o estúdio Sunrise (Gundam) tinha de reinventar também aquilo que é um dos géneros mais tradicionais em anime: Mecha.

Sim, 2006 deu-nos também o inigualável Code Geass! Nesta série a arte do popular grupo Clamp (Cardcaptor Sakura, Chobits) aliaram-se a uma história de vingança num estilo bombástico que só aquela ilha do pacífico consegue fazer.

Code Geass conseguiu juntar num único pacote personagens extremamente atraentes e dignos de rios de merchandising e cosplays, acção com robots gigantes a lutarem entre si e um enredo que deixa os espectadores na ânsia de ver o próximo episódio imediatamente pois são inacreditáveis as voltas que o enredo dá.

Acho que é justo dizer que ser um fã do meio em 2006 não foi nada mau e é provável que, até à data, este tenha sido possivelmente o mais interessante ano que os fãs do meio alguma vez tiveram o prazer de presenciar.

Clannad (2007)/Clannad: After Story (2008)

Mas como eu disse na introdução, de 2006 em diante o que não faltam são séries marcantes e 2007 não foi excepção.

Quem me conhece sabe certamente que tenho um apreço especial pela Kyoto Animation. E sabem certamente também que tenho um apreço especial por Clannad, o melodrama sobre adolescentes a descobrirem aquilo que é ter uma família.

Para mim Clannad é o auge de algo que provavelmente nunca mais irá acontecer: um estúdio com uma capacidade inigualável de traduzir para o pequeno ecrã o muito particular humor e melodrama de uma novela visual do estúdio Key receber o orçamento ideal, o tempo para trabalhar o produto e encontrar uma larga audiência receptiva para aquele tipo de obra naquele momento exacto no tempo.

Ainda hoje, 12 anos passados desde que acabei de ver a série pela primeira vez, consigo sentir aquele aperto do coração quando certas músicas da sua banda sonora me vêm à cabeça. Ainda hoje ver certas imagens da série me deixam perto das lágrimas devido ao seu impacto emocional.

Clannad não é o melhor argumento escrito por este autor. Há bons argumentos para escolher histórias como Air, Kanon ou Little Busters como tendo argumentos e/ou personagens melhores no seu formato original. É também verdade que a primeira metade da segunda temporada podia facilmente ser cortada e a série ficava com um ritmo melhor mas tudo isso é irrelevante porque, mesmo com todos esses defeitos, Clannad continua a ser o melodrama de referência para mim.

Tengen Toppa Gurren Lagann (2007)

Tengen Toppa Gurren Lagann (2007)

Faz o impossível, vê o invisível. Toca o intocável, quebra o inquebrável. Vai para além do impossível e atira a razão pela janela fora, é isso que representa a equipa Gurren!

Naquele que foi possivelmente o pico do histórico estúdio Gainax, 2007 deu-nos este Tengen Toppa Gurren Lagann. Imaginem o vosso Shounen preferido no seu ponto mais emocionante e tripliquem o entusiasmo que sentiram por aquela batalha emocionante. Conseguiram? Agora tripliquem isso outra vez… e outra vez… e continuem a fazer isso durante 26 episódios e podem começar a ter uma noção do quão insano é o ritmo desta série.

Se alguma vez viram uma série do estúdio Trigger (Kill la Kill, Little Witch Academia) então sabem o que esperar desta série. Uma série que começa com dois simples rapazes a lutarem por sair do buraco onde vivem (literalmente) e que acaba com batalhas de proporções universais… literalmente! A sério, isto acaba com seres a atirarem galáxias uns aos outros como armas. Eu diria que até faz sentido na série mas não… não faz. E é genial!

É triste olhar para trás e ver que apesar de TTGL ser absolutamente genial e uma autêntica trip de adrenalina que todos os fãs do meio deviam ver, foi também o princípio do fim para o estúdio Gainax. Mas talvez seja melhor assim. Desta forma a série não foi alvo de inúmeras sequelas desnecessárias que destruiriam a magia.

5 Centimeters per Second (2007)

5 Centimeters per Second (2007)

Certamente que Makoto Shinkai é um nome que não precisa de muitas apresentações hoje em dia. Obras como Tenki no Ko (Weathering with You/O Tempo Contigo) ou Kimi no Na Wa (Your Name) foram sucessos de bilheteira um pouco por todo o mundo e colocaram o realizador num patamar só alcançado anteriormente pelo estúdio Ghibli e o inigualável Hayao Miyazaki.

É importante mencionar então que aquele que foi possivelmente o primeiro grande êxito do realizador: este 5cm per second.

Esta é uma história de amor contada em 3 partes sobre um rapaz e a rapariga por quem ele se apaixonou enquanto criança. Não é uma história com final feliz mas sim uma história agridoce e melancólica sobre os perigos de ficar preso ao passado. É visualmente impressionante como calculam e absolutamente recomendado mesmo para quem não está interessado em animação.

Desde então o realizador atingiu um patamar ainda mais alto de beleza nas suas obras mas há qualquer coisa neste filme mais antigo que ainda hoje me faz ficar de boca aberta com as imagens de céus estrelados ou de cerejeiras em flor que polvilham a obra.

Macross F (2007)

Já mencionei aqui nesta série de artigos como Macross foi uma das séries mais marcantes dos anos 80. Nós aqui no ocidente acabámos por perder um pouco o comboio nesta série devido à história complicada dos seus direitos no ocidente, mas no Japão a sua influência sempre foi inegável.

E com este pano de fundo chegamos ao final de 2007 onde uma nova versão desta icónica série conhecida pela sua mistura entre aviões a jacto, robots gigantes e música pop, vê a luz do dia.

Macross F tem uma banda sonora inigualável ou não estivesse a lendária compositora Kanno Yoko (Cowboy Bebop, Escaflowne) envolvida e um triângulo amoroso que gerou páginas e páginas de debates em fóruns do início do milénio sobre qual das duas raparigas iria vencer.

O foco em duas divas pop ao bom estilo de uma Madona ou Whitney Houston como personagens principais é aquilo que possivelmente marcou mais a série (e em parte o boom dos ídolos que se seguiu com séries como Love Live iDOLM@STER) e não tenho receio em admitir que ainda hoje gosto de meter uma música como a Lion a tocar em fundo.

(A sério, vejam lá o poder vocal destas duas mulheres e digam que não é impressionante?)

True Tears (2008)

Explicar porque é que esta adaptação de uma novela visual de 2008 é marcante resume-se a um nome: Mari Okada.

Primeiro que tudo chamar-lhe uma adaptação é ser simpático uma vez que o enredo do anime é quase 100% original. E até digo mais: não é das minhas séries favoritas. Mas a verdade é que, na altura, foi extremamente popular e foi a primeira obra escrita pela acima mencionada Mari Okada, alguém que viria a ficar mais conhecida por séries como Anohana: The Flower We Saw That Day, a adaptação de Toradora ou o seu mais recente filme Maquia.

Hoje voltar atrás e ver esta série não é algo que eu recomendaria mas se quiserem ver os clichés que ficaram associados a esta popular argumentista tomar forma então sigam em frente.

Bakemonogatari (2009)

Mais um ano, mais uma série cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir. Pelas mãos da Shaft e do seu inconfundível director Akiyuki Shinbou vem a adaptação desta obra do igualmente inconfundível autor Nisio Isin que rebentou completamente a mente de todos os que a viram na altura.

Esta série não é fácil de seguir: há sempre algo a acontecer no ecrã, o diálogo parece nunca dar tréguas e visualmente estamos sempre a ser inundados pelo surrealismo habitual do seu realizador. O uso e abuso de trocadilhos no original também não ajudam à tradução ou à leitura atempada das muitas linhas de legendas.

O impacto desta série é inquestionável. Da mesma forma que séries durante anos foram descritas como “semelhantes a Evangelion”, também agora é comum ouvir o termo “semelhante a Monogatari” como descrição (ainda que muitas vezes errada).

É também graças a uma das sequelas desta série que nunca vou olhar para uma escova de dentes da mesma forma.

K-On! (2009)

K-On! (2009)

Foi também em 2009 que nos chegou a adaptação de uma manga sobre raparigas a beber chá quando deviam estar a tocar música. K-On! praticamente popularizou o género de “raparigas fofas a fazerem coisas fofas” que ainda hoje gera resmas de clones ano após ano.

K-On! é uma daquelas poucas séries que conseguiu quebrar a barreira e para além de apelar apenas aos Otakus apelou também ao comum dos mortais com a série original a passar em canais como o Disney Channel no Japão.

A série foi também em grande parte responsável por uma mudança radical na arte das séries de animação pós-2010 com muitas séries a adoptarem o estilo mais simplista e “fofo” que esta série popularizou.

Fate/Zero (2011)

Fate é uma franchise estupidamente popular e Zero é a prequela brutal cujos adaptação era exigida pelos fãs da saga há anos. Em 2011 o altamente competente estúdio Ufotable pegou nas rédeas do projecto e deu-nos finalmente a primeira boa adaptação do franchise para o formato de animação. Não é, portanto, nada surpreendente que o resultado se tenha tornado altamente popular.

A série serve também como um começo de uma vaga de popularidade para o seu autor, Urobuchi “Butcher” Gen, bem como o ponto em que esta já muito popular série se tornou numa autêntica máquina de imprimir dinheiro.

Fate/Zero é ainda hoje impressionante de ver, especialmente para uma série de TV e não uma OVA ou Filme, e o seu enredo com uma espécie de cinismo realista parece ter caído que nem uma luva no espírito global dos 2010s.

Puella Magi Madoka Magica (2011)

Puella Magi Madoka Magica (2011)

E falando em séries marcantes… 

Como poderia uma lista de animes marcantes passar sem falar nesta série que reinventou o clássico género Mahou Shoujo (Sailor Moon).

Com realização a cargo do  atrás mencionado Akiyuki Shinbou e o seu surrealismo e com o enredo a cargo do também já mencionado Urobuchi “Butcher” Gen, Madoka Magica só precisou de 3 episódios para fazer todos os fãs do meio perderem a cabeça! O facto do desenho das personagens estar a cargo da mesma artista que fez o incrivelmente foto Hidamari Sketch foi a cereja no topo do bolo.

Estando lá quando a série apareceu e seguindo-a em tempo real posso relatar que todos esperávamos algo vindo do mesmo autor de Fate/Zero mas todo marketing à volta da série conseguiu com sucesso esconder o que aí vinha e o impacto que isso causou foi sísmico.

Se não sabem o grande twist da série até agora e estão curiosos fechem-se com os primeiros 3 episódios da série e vejam isto porque vale muito a pena. Madoka Magica desconstrói um género que era uma das pedras basilares do meio até então e vira-o completamente de pernas para o ar. Gerou um sem número de cópias nos anos que se seguiram e ainda hoje a sua popularidade persiste com jogos, spin-offs e outros tantos projectos a serem produzidos quase 10 anos depois do seu lançamento.

Steins;Gate (2011)

Por fim resta mencionar que 2011 foi também o ano em que o estúdio White Fox nos deu esta brilhante adaptação da novela gráfica Steins;Gate.

A história de um jovem adulto a viajar pelo tempo vezes sem conta na tentativa de salvar aqueles que lhe são próximos demora um bocadinho a ganhar vapor mas quando o comboio sai da estação todos aqueles momentos mais calmos do princípio servem para aumentar o impacto do drama que polvilha a segunda metade da série.

O impacto desta série na animação não posso dizer que tenha sido algo da mesma dimensão de outras entradas nesta lista mas já o seu impacto na popularidade do género das novelas gráficas no ocidente é outra história. Poderia-se argumentar que foi graças a Steins;Gate que as editoras perceberam que havia mercado para editar este tipo de jogos fora do Japão levando à autêntica idade de ouro que vivemos hoje com um sem número de obras a serem disponibilizadas em Inglês seja no PC ou nas consolas.

Steins;Gate (2011)

E com isto concluo a minha longa, longa, lista de séries que de alguma forma foram marcando o meio da animação japonesa ao longo dos anos. Desde a popularização do mecha nos anos 70 e 80 com séries com Gundam, a sua reinvenção nos anos 90 com Eva ou a introdução de obras como Perfect Blue ou Ghost in the Shell a mostrarem que era possível abordar temas de forma mais complexa neste meio, houve muitas mudanças e séries marcantes ao longo dos últimos 40 anos neste meio.

Não falei aqui sobre a década dos 2010 pois acho que ainda é cedo demais para conseguirmos compreender quais são aquelas obras que influenciaram de alguma forma o que se seguiu. Será que séries como Attack on Titan ou Demon Slayer serão vistas como meramente populares ou será que criaram também elas ondas na indústria que se propagaram durante anos ou quiçá décadas? Só o futuro o dirá e eu espero estar cá daqui a 10, 20, talvez 30 anos para analisar novamente essas mudanças.

Até lá podem dizer de vossa justiça via Twitter ou Facebook o que acharam desta lista. Esqueci-me de alguma coisa? Escolhi mal em algum momento? Fico à espera dos vossos comentários.

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№ 12

Starlink já atinge 30-60Mbps de internet via satélite


Com quase 600 satélites já lançados, a rede Starlink da SpaceX já começou a operar em fase de testes, e já existem resultados que permitem avaliar o tipo de desempenho que se poderá esperar desta rede de internet via satélite.

Embora a constelação Starlink esteja longe de estar concluída (com mais de 10 mil satélites planeados, a cobrir praticamente toda a superfície terrestre), as centenas que já se encontram no espaço já vão permitindo criar um serviço funcional para algumas zonas geográficas. Não menos interessante é que as pessoas com acesso ao serviço têm usado o Speedtest para testar as velocidades, e com isso já se fica com uma ideia do desempenho actual da rede Starlink.


Segundo os resultados do Speedtest, a rede Starlink já permite atingir velocidades de download entre 30 e 60 Mbps, enquanto os uploads se ficam por uns mais modestos 5 a 18 Mbps. Mais interessante para uma ligação via satélite, é que a rede está a permitir manter pings entre os 30-70 ms, com o pior caso a ficar-se pelos 94 ms (e com resultados mais recentes a terem chegado aos 20 ms no melhor caso).

São valores bastante interessantes considerando que se trata de uma ligação via satélite, e isto sem considerar que estamos ainda a lidar com uma rede que apenas tem cerca de 1/20 dos satélites previstos.

Resta ainda saber como é que este serviço conseguirá lidar com potencialmente milhões de utilizadores simultâneos, mas por agora as coisas parecem muito bem encaminhadas para a SpaceX - e seguramente a causar pesadelos para muitos operadores de telecomunicações, que estão a ver esta empresa a passar-lhes literalmente "por cima".
№ 13

AI recupera filmes do passado para 4K a 60 fps


Enquanto em pleno século XXI temos a indústria do cinema a fazer todos os esforços por nos convencer que os filmes a 24 fps são uma experiência única, há quem nos mostre o realismo adicional que se pode obter ao rever filmes do passado reconvertidos para 4K e a 60 fps.

Todos já vimos filmes do início do século passado, caracterizados pelo seu framerate reduzido (e acelerado) e as imagens a preto e branco, normalmente com baixa resolução e pontilhadas por lixo e arranhões. Mas, graças à "magia" da inteligência artificial, temos agora sistemas que podem pegar nesses filmes e recuperar muitos dos seus detalhes - e transformá-los em vídeos que permitem revisitar essas épocas com detalhe incrível, tal como se tivessem sido filmadas com uma moderna câmara digital 4K.

Os resultados são verdadeiramente impressionantes, mesmo se é preciso ter a devida cautela quanto a alguns aspectos, como o da colorização poder não representar as cores reais, ou em certos casos os rostos das pessoas nas multidões poderem contar com a "imaginação" do sistema de A.I. para serem recriados, quando se tratam de imagens originais onde não houvesse detalhes suficientes para serem recriados.







№ 14

As medidas imperiais vs métricas


A velha "guerra" das unidades imperiais vs métricas é algo que dura há séculos, mas não deixa de ser algo vergonhoso que se mantenha em pleno século XXI.

Ao contrário do que acontece no sistema métrico, onde até uma criança rapidamente consegue perceber que um metro tem mil milímetros e um quilómetro tem mil metros, nas unidades imperiais ficamos perante um verdadeiro zoológico de unidades inventadas à sorte, e que na maioria dos casos até fazem suspeitar que foram propositadamente definidas por um comediante que procurava rir-se à custa do público. Converter de milhas para pés ou polegadas é uma aventura, e o vídeo que se segue descreve-o na perfeição.

Temos ainda a parte mais ridícula de todas de que, actualmente, as próprias unidades imperiais são definidas em função das unidades métricas; pelo que na verdade a manutenção das medidas imperiais acaba por ser mesmo uma questão de teimosia, uma mera máscara por cima do sistema métrico, que continuará a baralhar gerações desnecessariamente.

№ 15

Telegram passa a contar com chamadas de vídeo


O Telegram celebra o seu 7º aniversário disponibilizando a muito aguardada funcionalidade de video-chamadas (encriptadas, obviamente).


O Telegram tem-nos trazido novidades de forma regular, mas as video-chamadas eram uma das funcionalidades mais pedidas, sendo o passo lógico que se seguia às chamadas de voz. No entanto, por agora é algo que ainda é disponibilizado como estando em versão "alpha", pelo que não levem demasiado a sério se ainda encontrarem alguns bugs.

Como seria de esperar, as video-chamadas contam com encriptação end-to-end, com um sistema de validação que apresenta quatro emojis a ambos os participantes - se ambos coincidirem a chamada é encriptadas e está a salvo de qualquer tipo de monitorização. Falando de emojis...

Esta actualização conta também com um novo lote de emojis animados... e depois de ter visto toda a polémica em torno da foto publicitária da Audi com uma criança e uma banana, nem vou imaginar o que algumas pessoas poderão imaginar de um certo emoji animado que está incluído neste lote do Telegram.
№ 16

Nvidia mostra visualização de 150TB de dados


Arranjar forma de visualizar gigantescas quantidades de informação nem sempre é fácil, mas a Nvidia mostra como uma equipa de cientistas da NASA o faz, transformando 150 TB de dados num vídeo que pode ser apreciado por todos.

O vídeo que se segue pode parecer apenas uma cena de um jogo ou de um filme de ficção científica, representando o processo de reentrada de uma nave equipada com retropropulsores. A diferença é que em vez de ser uma criação de um qualquer artista, em busca do melhor espectáculo visual, se trata de uma das mais complexas simulações, criadas no mais rápido super-computador da actualidade no Oak Ridge National Laboratory (ORNL).

A simulação demorou uma semana(!) a correr neste super-computador, e no final gerou mais de 100TB de dados que criaram um novo problema: como "ver" toda esta informação? E a solução foi visualizar esses dados que recriam toda a interacção de fluidos e partículas em detalhe como um vídeo. Mas graças aos sistemas da Nvidia, em vez de criarem um vídeo pré-renderizado que demoraria horas a ser gerado com base em toda essa informação, agora é possível visualizar esses dados em tempo real, permitindo observar essas interacções, de qualquer ponto de vista, e em qualquer momento.

... Não digam isto à equipa do Star Citizen, senão eles ainda se lembram de querer simular os motores das naves com este nível de detalhe, e adiam o lançamento oficial do jogo por mais uma década. ;P

№ 17

Como fazer um relógio com fita LED e Arduino Nano


Um Arduino, fita LED RGB endereçável e meia dúzia de componentes é tudo o que é preciso para se construir um colorido e original relógio luminoso.

Hoje em dia temos ao nosso dispor componentes electrónicos incríveis a preço extraordinariamente reduzido, e com isso reúnem-se os ingredientes para fazer projectos bastante vistosos e criativos de forma bastante simples. É precisamente o caso deste relógio LEDura.

Usando apenas um Arduino Nano, um módulo de relógio RTC (para garantir que mantém as horas certas mesmo se faltar a electricidade), duas fitas LED RGB endereçáveis, e alguns poucos componentes sortidos adicionais (potenciómetros, resistências, fonte de alimentação, etc.) podemos criar um relógio LED original que também pode servir como termómetro digital e lâmpada LED RGB com efeitos luminosos diversos, cortesia da biblioteca FastLED.


Como sempre, nada nos impede de deixar que a nossa imaginação leve o projecto mais além. Se em vez de um Arduino Nano optarmos por um ESP8266 com WiFi, abrem-se as portas para o podermos integrar com serviços na web, podendo utilizar o "relógio" como indicador LED para todo o tipo de alertas ou eventos para os quais se deseje ser notificado ou estar informado.
№ 18

Hyundai Kauai bate recorde com 1026 km de autonomia


No âmbito da visão e esforço de investigação da Hyundai para a ecomobilidade, três modelos Kauai Electric estabeleceram um recorde de autonomia para automóveis elétricos. O desafio era simples: percorrer mais de 1.000 quilómetros com um único carregamento.

Os SUVs sub-compactos totalmente eléctricos dominaram o teste, conhecido também como “hypermiling”, com facilidade, e só pararam por estarem sem energia exactamente a partir dos 1.018,7, 1.024,1 e 1.026,0 quilómetros. Em relação à capacidade da bateria de 64 kWh, cada valor individual representa outro recorde, uma vez que o consumo de energia do veículo de 6,28, 6,25 e 6,24 kWh/100Km foram muito inferiores ao valor padrão de 14.7 kWh/100Km determinado pelo WLTP.

Todos os veículos KAUAI Electric utilizados no teste eram veículos de produção em série quando chegaram a Lausitzring, pelo que a sua autonomia WLTP anunciada é de 484 quilómetros. Além disso, os três automóveis foram controlados alternando os condutores durante os seus três dias de utilização e o sistema de assistência dos veículos permaneceu intocado.

A Dekra, a organização especializada que desde 2017 tem vindo a operar em Lausitzring, assegurou que tudo ocorresse dentro do planeado durante a tentativa bem-sucedida de registo de eficiência. Os engenheiros da Dekra asseguraram-se que tudo correu bem, monitorizando os veículos usados e mantendo um registo de cada uma das 36 mudanças de condutor.

Uma vez que nenhum outro fabricante alguma vez realizou um teste tão prático como este, as estimativas avançadas foram correspondentemente cautelosas. Os técnicos da Hyundai a trabalhar com Thilo Klemm, Chefe do Centro de Formação Após-Venda, tinham calculado uma autonomia teórica entre 984 e 1.066 quilómetros para uma condução simulada à velocidade média de trânsito na cidade. Isto foi um desafio para as equipas, porque conduzir de forma a poupar energia exigiu concentração e paciência.

Três equipas competiram entre si em Lausitzring: uma equipa de condutores teste da conceituada revista Auto Bild, uma com técnicos do Departamento de Após-Venda da Hyundai Motor Deutschland e outra equipa com membros do Departamento de Comunicação e Marketing de Produto. Apesar do uso do ar condicionado não ter sido proibido, nenhuma das equipas quis correr o risco de uma condução com ar condicionado com uma temperatura exterior de 29ºC para não prejudicar os resultados de autonomia. Pela mesma razão, o sistema de entretenimento do KAUAI Electric permaneceu desligado todo o tempo, sendo a energia disponível utilizada exclusivamente para a propulsão. Apenas a luz de condução diurna permaneceu ligada, de modo a cumprir com os requisitos legais de condução.



Foram utilizados pneus de baixa resistência Nexan Nfera SU1 no tamanho 215/55R17. A velocidade média das equipas após percorrerem uma distância de mais de 1.000 quilómetros foi entre 29 e 31 km/h. Apesar de, à primeira vista parecer uma velocidade reduzida, o teste teve que ser realizado nas típicas condições de trânsito na cidade, incluindo horas de ponta e semáforos, assim como o limite de velocidade de 30Km/h em áreas de residência.

Na noite anterior aos testes, as condições dos três modelos KAUAI Electric foram verificadas pelos engenheiros da Dekra. Além disso, os peritos compararam os odómetros e selaram a interface dos diagnósticos de bordo, bem como a aba de segurança sob o tablier e sobre a rampa de carga no para-choques dianteiro, para descartar qualquer manipulação do resultado. Depois, iniciou-se a viagem de quase 35 horas.

No início da tarde do terceiro dia, os primeiros avisos dos EVs apareceram no ecrã. Se a capacidade das baterias descesse para menos de oito por cento, o computador de bordo do Hyundai KAUAI Electric recomendava que o veículo fosse trocado para uma fonte de energia. Se a capacidade restante da bateria caísse para apenas três por cento, mudariam para o modo de emergência, com uma redução total da potência do motor. No entanto, este factor não pareceu afectar os condutores, e com três por cento de capacidade residual, os veículos conseguiram mesmo assim percorrer cerca de 20 quilómetros na sua condução eficiente.
№ 19

Honda comemora 10 anos das caixas DCT


A Honda comemora uma década da tecnologia DCT (Dual Clutch Transmission) usada pela primeira vez nas suas motas e motociclos.

Esta tecnologia foi apresentada na Europa na VRF1200F, um modelo turístico desportivo; até hoje, a DCT da Honda permanece uma tecnologia única no mundo dos modelos de duas rodas. No total, já foram vendidas mais de 140.000 motos equipadas com DCT em toda a Europa; só em 2019, 45% das Africa Twin, 52% das NC750X e 67% das Goldwing vendidas na Europa estavam equipadas com DCT.

O sucesso desta tecnologia deve-se, em grande parte, a uma evolução constante da tecnologia, com melhorias ao nível da suavidade e da temporização de engrenagem das mudanças, bem como de diversas adaptações que vão de encontro às caraterísticas únicas da vasta gama de modelos onde a DCT é aplicada. Como exemplos temos a inclusão do “interruptor G” para melhoria das capacidades de condução em fora-de-estrada na Africa Twin e na X-ADV e a sincronização com o sistema de arranque em subida (Hill Start), o modo Walking (função Creep, de movimento para a frente em velocidade super-lenta) e o modo Idling Stop de paragem do motor ao ralenti no modelo porta-estandarte da marca, a turística Honda Goldwing.

O que é uma caixa DCT?

A DCT é uma caixa com duas embraiagens electro-hidráulicas e engrenagem automatizada das mudanças; este sistema tem dois conjuntos independentes de embraiagens alojados na mesma unidade, cada uma ligada a um conjunto separado de carretos – uma embraiagem “trata” do arranque e da engrenagem da 1ª, 3ª e 5ª velocidades e a outra “toma conta” da 2ª, 4ª e 6ª velocidades.



As mudanças das velocidades podem ser feitas em modo Manual pelo condutor, usando as patilhas das mudanças no punho esquerdo do guiador ou em modo Automático, de acordo com os padrões de condução ditados pela monitorização constante de determinados parâmetros, incluindo a velocidade do veículo, a rotação do motor e o ângulo de abertura do acelerador. Em nenhum dos casos é necessária a aplicação de uma manete de embraiagem ou accionar um pedal de mudanças. Durante a engrenagem das mudanças, quando uma das embraiagens desengrena, a outra engrena a mudança pretendida em simultâneo, assegurando assim mudanças consistentes, ultrarrápidas e ininterruptas, sem perdas de tracção na roda traseira.

Adicionalmente às vantagens naturais que este sistema oferece a uma condução mais desportiva, a tecnologia DCT também permite ao condutor concentrar-se mais no trajecto, nos pontos de travagem, nas curvas e nas acelerações. Outros benefícios incluem redução no cansaço do condutor, menor esforço na condução urbana, a impossibilidade de deixar o motor ir-se abaixo e maior inclinação possível da moto nas passagens de caixa.

№ 20

Daimler paga mais de $2B nos EUA pelo dieselgate


A Daimler Mercedes já chegou a acordo quanto ao valor a pagar pela batota nas emissões poluentes - dieselgate - nos, aceitando pagar um total de 2.2 mil milhões de dólares.

À semelhança do que foi feito pela VW, também a Daimler Mercedes foi apanhada a utilizar sistemas que deliberadamente reduziam as emissões poluentes durante os processos de testes, mas depois emitindo valores muito superiores aos permitidos durante o processo de condução normal em estrada. No entanto, a Daimler safa-se com uma multa bastante mais reduzida que a a sua companheira germânica.

Enquanto na VW os custos com o escândalo dieselgate já chegaram aos 35 mil milhões de dólares, a Daimler por agora terá apenas que pagar 1.5 mil milhões de dólares às autoridades norte-americanas, a que se somam mais 700 milhões num processo paralelo referente aos compradores das suas viaturas.

Continuo a achar que não há qualquer valor, por mais elevado que fosse, que chegue para compensar o mal que foi feito. E a forma como foi feito revela, sem qualquer margem de dúvidas, o completo desrespeito destas empresas por toda a população e pelo planeta. Justificava-se que fossem julgadas por verdadeiros crimes contra a humanidade, com prisão para toda a equipa executiva, e supervisão apertada durante vários anos.

... Também ajudaria que, por conta disto, fossem obrigadas a pagar mais alguns biliões para acelerar o processo de transição para os automóveis eléctricos.

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